O mundo passou por intensas transformações no primeiro semestre deste ano devido à pandemia do novo coronavírus. Em meio a tantas mudanças, seja âmbito profissional ou pessoal, os desafios foram inúmeros.

Trabalho remoto

Bárbara Nogueira, headhunter da Prime Talent, cita o desafio de implantar o home office. “Em algumas empresas, o home office era visto com receio, tanto pelos entraves jurídicos governamentais para essa implementação, quanto pela postura de controle dos funcionários. Com a pandemia, foi necessário realizar uma mudança cultural repentina, e a digitalização foi colocada em prática nas empresas, sem pedir licença. Aquelas que não estavam preparadas tiveram que sair da “zona de conforto” e se reinventar rapidamente, uma vez que era a única forma possível para manter as entregas aos seus clientes.”

Desigualdade de gênero

Uma das adversidades enfatizada por Helena Abdo, sócia da Contencioso e Arbitragem do Cescon Barrieu, é a necessidade de se olhar para a situação das mulheres na quarentena. “No início, me senti culpada por não estar sendo tão produtiva quanto meus colegas do sexo masculino: via todo mundo participar de lives e webinars enquanto eu lutava madrugada adentro para dar conta do trabalho interno e externo acumulados. Hoje já não me sinto assim. Não sou uma heroína, mas também não quero ser uma mártir”. A advogada ainda fez outras colocações. “Percebi que sou produtiva de uma maneira diferente. Embora não consiga me projetar tanto no ambiente externo, sinto que evoluí e me adaptei: estou muito mais criativa e mais rápida.”

Mudança de mentalidade

Para Melina Alves, CEO da DUXCoworkers, um dos desafios é a estrutura organizacional sedimentada na ancestralidade hierárquica, formal e horizontal, comum nas grandes marcas. “O futuro do trabalho já não cabe nas baias. A tecnologia redimensionou as relações entre empregado e empregador quando abriu possibilidades como o trabalho remoto. As grandes marcas já perceberam que esses aspectos são estratégicos e não caprichos de profissionais de destaque no mercado”, explica.