“O que te custa?” As demandas e cobranças extras de trabalho para Raquel* sempre terminavam com essa pergunta. Com o decreto da pandemia do novo coronavírus, sua carga horária, agora em home office, dobrou e os abusos começaram, segundo relatou a profissional em uma entrevista para VOCÊ S/A sob condição de anonimato.

De acordo com Raquel, aumento arbitrário do escopo das atividades, cobranças descabidas e trabalho aos fins de semana se transformaram no “novo normal” na empresa da área de comunicação e com sede do Rio de Janeiro na qual ela trabalhava.

A gota d’água para o pedido de demissão caiu em uma teleconferência com todos os funcionários. Ao questionar a decisão de aumentar suas atribuições diárias de novo, Raquel ouviu gritos do chefe em resposta. “O sócio aumentou a voz e debochou, dizendo que eu deveria me sentir privilegiada porque poderiam estar cortando salários. Mas, a empresa não teve nenhuma redução de receita por conta da pandemia”.

Em setores mais ou menos abalados pela crise do coronavírus, não é difícil encontrar gestores perdidos e funcionários sobrecarregados, dois dos sintomas mais frequentes de relações de trabalho adoecidas.

Em algumas empresas, as reuniões diárias são utilizadas como mecanismo de controle de jornada, de acordo com Mônica, da LHH. Não por acaso, a exaustão por conta do excesso de teleconferências é epidêmica na pandemia de coronavírus e ganhou até uma alcunha internacional: Zoom fatigue (fadiga do Zoom, aplicativo de reuniões virtuais).

Além de exaustos, muitos brasileiros estão ansiosos, estressados e deprimidos. Pesquisa feita pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) com  1 460 pessoas em 23 estados e todas as regiões do país revela que enquanto a incidência de depressão dobrou, as ocorrências de estresse e ansiedade cresceram 80%, na quarentena.

A falta de inteligência emocional na liderança é outro aspecto que pode afetar as equipes nesse momento é a falta de inteligência emocional na liderança. Sem isso, atitudes bélicas como a que o chefe de Raquel adotou durante a reunião com o time se tornam comuns.  “Líderes com inteligência emocional agem com maior tranquilidade sob pressão, conseguem ver o lado bom da situação. Se o profissional não têm essa competência, as dificuldades são maiores, ele acaba explodindo, desconta na equipe, pratica assédio moral”, diz Mônica.

Fonte: Este texto foi publicada, originalmente, em VocêS/A.