Desde março, quando as medidas de isolamento social entraram em vigor em todo o mundo governos relatam aumento nas denúncias de violência doméstica. Segundo relatório divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o aumento de violência de gênero foi de 44,9% apenas em São Paulo. Estatísticas como essa acendem um sinal de alerta dentro das empresas. “O RH deve criar canais que permitam que as vítimas possam buscar apoio e auxílio na própria empresa, sem críticas ou julgamentos. Esse é primeiro passo fundamental”, afirma, Ester Gomes, especialista em desenvolvimento humano.

Recentemente, diante desse cenário, as marcas Natura e Avon se uniram para atuar contra a violência de gênero com a campanha #IsoladasSimSozinhasNão nas redes sociais. Os posts da campanha tem como objetivo auxiliar as mulheres a identificar os sinais de relações abusivas. Além de mostrar que elas não estão sozinhas apresentando as várias formas que elas podem pedir ajuda e como criar uma rede de apoio entre vizinhos, amigos e familiares. 

Para cuidar de suas colaboradoras, a Natura e a Avon vão reforçar a divulgação de um canal 0800 que atende colaboradoras vítimas de violência, no qual é possível receber orientação específica de psicólogos, assistentes sociais e advogados.  

Desde 2017, após um caso de feminicídio contra uma colaboradora, o Magazine Luiza, tem o Canal da Mulher, que é um disque-denúncia, composto por psicólogas, para atender funcionárias por meio de site, e-mail e telefone 24 horas. A denúncia pode ser feita, sem identificação, pela vítima ou por qualquer pessoa que tenha alguma suspeita. 

Na semana passada, o Instituto Maria da Penha (IMP) criou uma campanha usando uma situação de videochamada para chamar atenção das empresas, que podem vir a se tornar uma rede de apoio a quem precisa, sobre o tema violência doméstica. No vídeo, uma reunião é interrompida após uma das colaboradoras, a personagem fictícia Carla, relatar para a colega de trabalho, Mariana, que foi agredida fisicamente pelo companheiro. Ao saber da situação, ela chama a polícia.

Para as empresas que desejam implementar um comitê da mulher, o IMP oferece consultoria. Conheça o passo a passo: primeiro é feita uma reunião para obter um diagnóstico dos gestores e RH. Nessa fase, identifica-se, por exemplo, se já houve relatos de colaboradoras que foram vítimas de violência doméstica, se existe pesquisa de clima ou se há ações de equidade de gênero na empresa. 

A análise de todas essas informações vai gerar um relatório para oficina de capacitação com gestores, RH, lideranças formais e informais. Na última fase, há uma palestra de sensibilização com os funcionários da empresa. Por fim, é criado a composição do comitê da mulher a partir de um guia de implementação, com indicações de um plano de trabalho, criação de um regimento interno e divulgação nos canais de comunicação. Para obter mais informações, entre em contato por e-mail.