O departamento de recursos humanos foi um dos mais impactados desde que o novo coronavírus se tornou pandemia e houve início do isolamento social. No caso dos RHs que atuam em instituições de saúde o desafio é ainda maior. “Em uma pandemia dessa proporção é essencial o alinhamento do propósito e diretrizes, planejamento, coesão das lideranças e times, execução e comunicação, para mantermos nossa excelência em cuidados humanizados aos pacientes e suas famílias”, comenta Angélica Sampaio, diretora de Recursos Humanos da rede de hospitais São Camilo de São Paulo. 

A diretora conta que, como primeira iniciativa, o RH montou um comitê de crise e grupos de coordenação e execução de frentes prioritárias para garantir a logística de recursos essenciais, como respiradores, protocolos de cuidados, EPIs para as equipes da linha de frente e leitos reversíveis para tratamento intensivo. Também houve a contratação de 216 profissionais de saúde. “Esse número tende a crescer, conforme a pandemia evolui.”

Angélica esclarece que quase todas as áreas de retaguarda estão em home office. “Desde finanças, contabilidade, comercial, RH e marketing, até telemarketing e atendimento ao cliente. Além disso, para as demais áreas, colocamos em prática a flexibilidade de horário, plantões alternados com home office, antecipação de férias e uso do banco de horas.”

Para cuidar do emocional dos profissionais de saúde que estão na linha de frente, a rede criou um grupo de apoio multiprofissional com psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros que promovem iniciativas regulares com objetivo de restabelecer o emocional dos colaboradores e associados do hospital. “São realizados programas de apoio psicológico e psiquiátrico, orientações técnicas para o dia a dia do colaborador e família, grupos de escuta ativa e acolhimento, reconhecimento aos times, homenagens aos colaboradores na linha de frente, ações motivacionais e tele monitoramento”, explica.

Sobre a contaminação de profissionais de saúde, a diretora de RH afirma que a Instituição “oferece suporte efetivo na recuperação aos casos gravíssimos de profissionais que contraíram a COVID-19.”Para ela, o maior desafio, neste momento, é salvar vidas e prover toda a logística e recursos necessários para atender a todos que necessitam, de forma humanizada. “Os valores e propósito da rede de hospitais São Camilo permeiam todas as áreas nessa hora. Valorização da vida e conhecimento, qualidade assistencial, humanização e ética, além do comprometimento profissional e social estão intrinsecamente ligados a tudo o que fazemos durante a pandemia.”

Rede de diagnósticos por imagem cria projeto de apoio e suporte aos colaboradores

A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) – gestora de serviços de diagnóstico por imagem da rede pública –, criou a RedeFIDI, um projeto de apoio e suporte para seus 2.500 colaboradores com auxílio médico, psicológico e comportamental. 

A rede de apoio, iniciada no dia 26 de março, foi pensada a partir da preocupação em minimizar os efeitos do enfrentamento da pandemia de COVID-19 nos colaboradores. 

Cristiane Claro, coordenadora de Relacionamentos Institucionais da FIDI,  conta que a equipe oferece contribuição em duas frentes: médica e psicológica. Na primeira, colaboradores e familiares podem esclarecer dúvidas sobre o coronavírus com os médicos da FIDI. A segunda conta com psicólogos, que realizam consultas online com duração de 50 minutos para os funcionários que solicitam apoio. Todos os atendimentos são realizados com o compromisso da ética e do sigilo profissional. “Qualquer colaborador pode – e deve – buscar auxílio quando sentir a necessidade. Queremos estar presentes em momentos de medo, angústia e preocupações. Eles cuidam de milhares de pessoas, portanto, também devem ser cuidados. Somaremos esforços para atender a toda demanda”, afirma Cristiane.