A educação à distância, em nível superior e especializado, tem crescido e se tornado uma ferramenta importante de disseminação de conhecimento a cada ano. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, o ensino à distância chegou de surpresa para muitos estudantes. Estima-se que mais de 850 milhões de crianças e adolescentes no mundo inteiro estão sem aulas presenciais, segundo anúncio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

No Brasil, a recomendação de isolamento social, em março, levou à suspensão das aulas nas escolas de educação básica a superior, públicas e privadas. Com isso, o Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria, em extraordinário, que regulamenta a substituição de aulas presenciais por aulas à distância pelas instituições de ensino enquanto durar a pandemia. Para continuar com o aprendizado, a maioria das instituições têm recorrido às plataformas de ensino online. 

Entretanto, segundo dados do questionário socioeconômico aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um em cada três estudantes (33,5%) que tentaram vaga no curso superior, nos últimos cinco anos, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não tem acesso à internet e a dispositivos, como computador ou celular, que permitam aprender por meio de educação à distância.

Gustavo Cezário, gerente de cultura do Sebrae, analisa que este momento é muito delicado para a educação no país. “É impossível fazer um retrato único da educação neste momento. Temos uma divisão muito clara das pessoas que possuem acesso à internet banda larga das que não tem. Infelizmente, essa lacuna é uma dificuldade que impacta a vida de milhões de brasileiros. Em contrapartida, as instituições de ensino que aderirem ao ensino à distância podem oferecer aos estudantes uma saída para esse período de isolamento”, comenta.