O coronavírus chegou e mudou hábitos, rotinas e, principalmente, verdades absolutas no mundo corporativo. Inúmeras empresas que não acreditavam no trabalho remoto precisaram incorporá-lo às pressas. Uma pesquisa realizada, no início da semana passada, pela consultoria Betania Tanure Associados (BTA) com 359 empresas brasileiras indica que quase metade delas adotou o home office como resposta direta à evolução do coronavírus no país. 

Papel do RH

Para lidar com esse novo cenário, o RH precisa se posicionar como protagonista da empresa.  “O papel do RH deve ser de total transparência sobre o momento. Deve ser o canal de comunicação clara e com foco no importante para os colaboradores”, explica Andrea Deis, gestora de carreira. 

Lúcia Almendra, professora de Gestão Estratégica de Recursos Humanos na Faculdade Arnaldo, uma das principais instituições de ensino superior de Belo Horizonte, comenta que este momento também deve ser visto como um período fértil para a possibilidade de revisão de projetos, otimização de políticas e práticas existentes internamente. 

Apoio a saúde mental 

Segundo Jorge Penillo, especialista em liderança, é essencial pensar em ações para manter a saúde mental dos colaboradores. “Uma possibilidade é a criação de desafios online e gincanas à distância. Essas atividades lúdicas são formas de manter o engajamento e promover a saúde mental dos funcionários”, comenta.

Penillo ainda conta que, para driblar a distância física, tem gravado palavras motivacionais em vídeos que trazem novas perspectivas para os funcionários. “Estou estudando sobre como a China lidou com essa situação e gravo os ensinamentos que aprendi.”

Incentive o propósito, autonomia e colaboração

Para Marília Cardoso, sócia-fundadora da PALAS, consultoria de gestão da inovação, momentos como o que estamos vivendo costumam despertar reflexões profundas. “As pessoas tendem a ficar mais sensíveis, buscando encontrar o sentido das coisas. Nessa hora, é comum se questionarem sobre qual é o verdadeiro motivo de saírem da cama para trabalhar. Por isso, mais do que nunca, é importante que o propósito da empresa esteja claro. Os colaboradores precisam saber para o que, de fato, eles estão trabalhando. O que eles estão construindo? Qual é o legado que querem deixar para os próximos? Então, deixe todos cientes do motivo pelo qual a empresa existe.” afirma. 

Outra desafio é o incentivo a autonomia. “Não adianta liberar o home-office e ficar mandando mensagem a cada cinco minutos só para saber se o funcionário está trabalhando. Autonomia quer dizer liberdade de atuação. Não importa se as pessoas vão fazer mais tempo de almoço ou se vão parar no meio da tarde para um café. Essas coisas já acontecem no dia a dia e são absolutamente normais. Vire a “chavinha”. O trabalho não é uma questão de horas, mas sim de produtividade. Delegue as tarefas, estabeleça os prazos e confie que tudo sairá bem. Profissionais com autonomia tendem a ser muito mais produtivos. Garanta que sua equipe tenha o ambiente necessário para trabalhar sem vigilância”, destaca a especialista. 

Por fim, Marília lembra que ninguém consegue fazer nada sozinho. “Aproveite o momento para estimular a colaboração na sua equipe. Uma vez desenvolvido esse comportamento agora, provavelmente, ele irá perdurar quando a tempestade passar. Quanto mais as pessoas puderem se unir para trocar experiências de sucesso ou para ajudarem as outras, melhor para todos.”