IMG Artigo Especial Lara Dias

Vamos começar nosso artigo sob o olhar de um dos maiores filósofos dos últimos tempos, que é Zygmunt Bauman. Uma das bases de estudos de Bauman é a liquidez dos nossos relacionamentos e do tempo que hoje vivemos. O que tem nos desequilibrado? Por que nos sentimos mais insatisfeitos quanto a nossa vida? Por que as frustrações do dia-a-dia nos levam ao caos emocional? Esses são alguns dos temas e questões que ele aborda em sua obra. Sendo assim, falar de desequilíbrio emocional é entender a realidade de vida que temos hoje.

Antes de abordarmos gatilhos, gostaria que você refletisse sobre você, respondendo às perguntas abaixo:

  • De 0-10 qual o nível de satisfação da minha vida pessoal hoje? Faça uma lista das coisas que te incomodam.
  • De 0-10 qual o nível de satisfação da minha vida profissional hoje? Faça uma lista de todas as situações que te levam a um sentimento de insatisfação.
  • De 0-10 quantos dias da semana me sinto feliz ao levantar? Identifique os dias que não se sente feliz e faça uma lista desses sentimentos.
  • Quantas vezes mudo de humor durante um dia? Tente identificar quais os motivos dessa mudança e em qual período do dia.
  • Quantas vezes ao dia/semana eu tenho explodido/perdido o equilíbrio? Faça uma lista de quais: dias, pessoas e motivos.

Após responder, raciocine sobre qual é o impacto disso na sua vida pessoal/profissional. Faça uma lista do que você poderia ter feito de diferente e que diminuiria essas situações. Crie um plano e coloque em um lugar onde você possa ver com facilidade e não se esquecer que você pode controlar qualquer situação.

Agora vamos pensar em gatilhos comuns a todos que nos levam ao desequilíbrio no trabalho:

  • Pessoas tóxicas:
    • Pessoas que estão reclamando todo o tempo, que são vítimas do mundo e que nada vai dar certo;
  • Pessoas negativas:
    • Pessoas que acreditam que o mundo gira em torno de fazê-la infeliz e, por isso, precisa que todos a sua volta também estejam infelizes;
  • Não está com o seu objetivo pessoal alinhado ao da empresa que trabalha:
    • Ex.: você quer crescer e a empresa quer apenas se manter no mercado;
  • Está insatisfeito (a) quanto ao seu reconhecimento dentro da empresa:
    • O seu chefe não reconhece o seu esforço,
    • O seu chefe usa suas ideias, mas não dá crédito a elas,
    • A empresa não tem plano de carreira e sobe de cargos por afinidade, não por competência.

A questão maior e além dos gatilhos é: o que eu posso fazer para que eles não impactem no meu dia, nos meus resultados, na minha satisfação? E, para responder essa pergunta, voltamos ao Bauman quando diz que “As pessoas seguem a correnteza, obedecendo às suas rotinas diárias e antecipadamente resignadas diante da impossibilidade de mudá-la, e acima de tudo convencidas da irrelevância e ineficácia de suas ações ou de sua recusa em agir”.

Uma das opções para driblar esse problema é a gestão da insatisfação e o seu posicionamento. Mas o que isso quer dizer? Fale direta e objetivamente. Isso não quer dizer que você precisa ser grosso, mal educado ou coisa parecida, lembre-se que “gentileza gera gentileza”, sendo assim, você pode se posicionar de forma clara sem prejudicar ou magoar alguém, apenas pontuando o que importa e como você se sente nas situações que te levam há um desequilíbrio. 

Assuma o controle das suas ações, lembre-se que ninguém consegue desligar, ou seja, se está com um problema em casa, isso irá impactar no trabalho e vice e versa. Então, tire um tempo para analisar como você está se sentindo e por que essas situações estão te levando ao desequilíbrio, existem coisas que só você pode fazer, pois a vida é sua, como você quer viver? Como você quer que o seu dia acabe? Como você quer se sentir ao fim do dia? Como você quer chegar em casa?

Uma vez compreendido o que te afeta, crie uma forma de lidar com esses sentimentos e entre em ação. Depende – muito – de você!

*Lara Dias é especialista em gestão de pessoas e negócios do Grupo Support.