O decreto de pandemia de coronavírus, pela Organização Mundial da Saúde (OMS),  e o aumento de casos no Brasil já altera o dia a dia nas empresas. Os famosos cumprimentos com beijos e abraços deram lugar para um oi à distância. Há empresas que já disponibilizam álcool gel logo na porta de entrada. Algumas estão evitando reuniões externas e outras optam por realizar reuniões e entrevistas de emprego via ferramentas tecnológicas.

“Os recursos humanos estão desenhando planos conforme as possibilidades de cada empresa”, comenta Juliana de Lacerda, sócia-fundadora da R122, consultoria de desenvolvimento e transformação de lideranças.

Com escritórios no Brasil e nos Estados Unidos, a Radix, multinacional de engenharia e tecnologia, tomou medidas para evitar a propagação do coronavírus. “Além de intensificar as medidas de higiene, também anteciparemos a campanha de vacinação contra a gripe. Iremos colocar colaboradores com mais de 60 anos, grávidas e pessoas que voltaram recentemente de viagens internacionais em quarentena. Por sermos uma empresa de tecnologia, a política de home office já faz parte da nossa agenda. Nesse sentido, o coronavírus não impactou a nossa forma de trabalho”, conta Daniella Gallo, diretora de Operações da Radix. 

Principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, locais em que foram detectados mais casos de coronavírus no Brasil, há organizações em que todas equipes farão home office por medidas preventivas.  É o caso da Zoom & Buscapé, empresa detentora das marcas Zoom, Buscapé, Bondfaro, QueBarato! e Moda It, que desde 13 de março, coloca em prática o home office para 160 funcionários.  

“Preservar a saúde dos funcionários é sempre a nossa prioridade. Além disso, queremos contribuir para a contenção da pandemia. Em momentos como esse, somos beneficiados porque já estamos preparados para o home office”, comenta Cristiani Oliveira, gerente de Pessoas e Cultura do Zoom & Buscapé.

Frente a esse cenário, Flávio Nicoletti, diretor de adoção de novas tecnologias da FunctionOne, comenta que percebeu as organizações que ainda não são adeptas ao trabalho remoto já estão falando sobre o assunto. “Muitas delas estão querendo conhecer as ferramentas tecnológicas que proporcionam o trabalho remoto. Outras já pediram para implantar”, afirma. 

Como ainda não há previsão de volta para o escritório, o grupo Zoom & Buscapé está reforçando a infraestrutura para dar suporte aos funcionários e fazer com que a rotina flua normalmente. “Os funcionários já são bem familiarizados com ferramentas que utilizamos no dia a dia, como Slack, Trello, Google Drive, HangOuts Google, que mantém a organização e comunicação da equipe atuando à distância. Então, a produtividade e a excelência no atendimento ao cliente será mantida”, complementa Oliveira. 

Uma forma que os profissionais de Recursos Humanos encontram para realizar a gestão da jornada de trabalho home office é investindo em sistema de ponto que permite a marcação do ponto pelo computador ou celular. “Com o sistema de ponto em nuvem, o RH consegue acompanhar a jornada de trabalho dos colaboradores em tempo real de qualquer lugar do mundo. Em casos de divergências, o gestor recebe alertas em tempo real. E o funcionário pode acessar o espelho e fazer envio de justificativas”, explica Marcelo Germano de Oliveira, sócio-diretor comercial da iFractal. 

Para quem não consegue fazer home office

Existem alguns setores que não conseguem fazer home office. Há, também, gestores que são resistentes em relação a isso. Nesses casos, há opções de controle da jornada de trabalho que são higiênicas: o registro pode ser feito por meio de um aplicativo para tablet que ativa a câmera e faz o reconhecimento facial do colaborador no aparelho. Logo em seguida, o aplicativo valida o registro de ponto. Então, basta, apenas, que o funcionário esteja em frente ao aparelho. “Como não há necessidade de toques na tela, a disseminação de vírus e bactérias é minimizada”, explica Felipe Waltrick, sócio-diretor de tecnologia da iFractal.  

Tiago Mavichian, diretor da Companhia de Estágios, dá mais conselhos para empresas que não poderão aderir ao trabalho remoto. “Sabemos que não são todas as empresas que conseguem ou são abertas ao trabalho remoto. Partindo disso, é importante adotar outras medidas de prevenção: como intensificar o trabalho de limpeza e  evitar contato físico. Em caso de resfriados, o RH deve orientá-los a permanecerem em casa. Outras ações como disponibilizar álcool gel e, se possível, mudar a jornada de trabalho para que os colaboradores não usem transporte público em horário de pico também são importantes. Além, é claro, de seguir todas as recomendações dos órgãos competentes em relação ao coronavírus”, finaliza.