O bullying é amplamente conhecido no contexto de crianças e adolescentes em idade escolar. Entretanto, apesar de menos discutido, ele é praticado no mercado de trabalho. Caso não seja identificado e combatido, pode resultar em doenças relacionadas ao comportamento social, como depressão e ansiedade.  

De acordo com Paula Boarin, mentora de carreira e professora universitária de Recursos Humanos, os principais exemplos de bullying no trabalho são: ofensas disfarçadas de brincadeiras que ridicularizam e dominam, apelidos pejorativos, humilhações públicas e repetitivas, ameaças físicas e verbais e constrangimentos recorrentes. Além de exclusão proposital.

Código de conduta
Ainda, segundo Boarin, o RH deve criar um código de conduta a fim de evitar casos de bullying. “O RH precisa educar sistematicamente os colaboradores a respeito dos valores e práticas da organização. Além disso, deve recrutar pessoas com base nos valores. Se necessário, deve penalizar com advertência verbal, escrita e até mesmo formalizar uma demissão, dependendo do caso”, afirma. 

Como o RH descobre se existe bullying na empresa?
O RH precisa ser atuante e ter uma relação aberta com os colaboradores. Boarin indica a criação de um canal online para denúncias anônimas. Outra forma eficaz é a entrevista de desligamento. “Essas duas ferramentas podem ser bons canais para captura de comportamentos considerados inadequados pela organização”, avalia.

Qual a diferença entre bullying e assédio moral?
Segundo Guilherme Guimarães, advogado e sócio fundador do Guilherme Guimarães Advogados Associados, assédio moral é a conduta praticada pelo superior hierárquico contra o trabalhador. “Quando há exposição repetida, de modo prolongado, a situações humilhantes, constrangedoras, durante a jornada de trabalho. Já o bullying é a violência física, emocional ou psicológica que ocorre sem motivação evidente praticada contra uma pessoa, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima”, explica. 

A diferença é que o assédio moral ocorre no ambiente de trabalho e é oriundo de um superior. Já o bullying também pode acontecer nesse ambiente, mas é configurado quando ocorre de outros colaboradores sem superioridade hierárquica à vítima. 

Ester Gomes, especialista em desenvolvimento humano, cita a comunicação violenta para exemplificar o assédio moral entre gestor e colaborador. “O chefe chega no funcionário e, em vez de falar, ‘sua apresentação precisa melhorar’, ele fala sua ‘apresentação está horrível’”. Ester também comenta que frases desmotivacionais frequentes como ‘você não é competente’ e pressão para alcance de metas inatingíveis podem ser considerados assédio moral. 

Existem projetos de lei em tramitação na Câmara para criminalizar tanto o bullying quanto o assédio moral. “No entanto, nos dois casos cabe a reparação pelo dano moral experimentado pela vítima. Se for no ambiente de trabalho, a empresa irá responder sobre as ações do gestor contra o seu subordinado”, afirma Guimarães.