Interrupções causadas pela conferida frequente de e-mails eleva o nível da estresse dos profissionais no escritório, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Houston, da Texas A&M University e da Universidade da Califórnia Irvine (UCI).

Para medir o quanto as distrações alimentam o estresse durante um mesmo trabalho multitarefa – que envolvia produção de relatório até a apresentação de resultados para gestores – os pesquisadores reuniram 63 profissionais, ligados às três universidades, e que trabalham em áreas consideradas do conhecimento. Eram cientistas, engenheiros, designers e acadêmicos. Metade dos participantes escreveu seus relatórios enquanto parava para checar toda hora os e-mails. A outra metade reservava um tempo para conferir um lote específico de e-mails.

Uma câmera monitorou os níveis de transpiração ao redor do nariz e da boca, enquanto dispositivos vestíveis no peito e no pulso monitoraram as frequências cardíacas e respiratórias. Duas câmeras, uma na tela do computador e a outra no teto, registraram as expressões faciais e as atividades das mãos no teclado. Os profissionais também tiveram sua personalidade mapeada em cinco traços: afável, meticuloso, extrovertido, neurótico e aberto.

O estudo mostrou que os profissionais que interrompiam, frequentemente, seu processo criativo para visualizar ou responder a e-mails exibiram um nível de estresse significativamente maior do que aqueles que deixaram para checar os e-mails em determinando período, visualizando-os por lotes.  Além disso, os profissionais que se deixavam distrair em interrupções frequentes sentiam-se mais esgotados pela mesma quantidade de trabalho do que aqueles que guardavam esse momento de distração – checagem de e-mails – para um horário específico.

Uma exceção à regra – distrações constantes e frequentes aumentam o estresse – foram as pessoas com tendência a neurose. Para elas, o padrão de estresse reverso era verdadeiro, ou seja, pareciam que as interrupções frequentes agiam como uma forma de terapia. Elas apresentaram um menor nível de estresse quando eram distraídas de forma frequente.

Entre as outras conclusões encontradas pelos pesquisadores, está o fato de que realizar apresentações de resultados é mais estressante para os profissionais do que produzir o trabalho em si. Além disso, ao ganhar um prazo maior de entrega, a maioria dos participantes do experimento utilizou o seu tempo extra refinando a apresentação do que  trabalhando no relatório em si. Houve também uma relação grande entre nível de estresse e a transpiração. Segundo Pavlidis, as pessoas que estão estressadas, embora não percebam, começam a transpirar, por exemplo, no nariz e, de forma talvez mais perceptível, em outras partes do rosto. “De modo geral, quanto mais estressado você fica, mais você sua”.

Pavlidis afirma que o estudo contribui para analisar como distrações elevam o estresse das pessoas dentro de um escritório. Pode servir principalmente de base para entender, por exemplo, o efeito de um Slack ou de outros programas que deverão substituir o e-mail nos próximos anos – e como esse novo cenário, onde parece ser impossível evitar distrações, atrapalha o desempenho, a produtividade e o bem-estar.

Fonte: Este texto foi publicado originalmente em Valor Econômico.