Fernando Andrade é publicitário e, por muitos anos, sofreu com a síndrome do impostor. Ele acreditava que era uma fraude e que, a qualquer momento, seria descoberto e demitido. Até que começou a se destacar e ganhar promoções no trabalho. Com isso, ficou mais seguro. “Após alguns meses de terapia, descobri que desenvolvi a síndrome do impostor ainda na infância, em um ano que fiquei inseguro com as minhas notas e aprendizagem na escola”, afirma. 

A Síndrome do Impostor é uma desordem psicológica na qual a pessoa não aceita  conquistas e não acredita que é merecedora. O indivíduo acha que é uma fraude, que seu êxito se deve à sorte e que a qualquer momento alguém pode desmascará-lo. “Em geral, quem possui a síndrome têm uma auto-cobrança excessiva, o que afeta negativamente o desempenho profissional”, comenta David Braga, headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão. 

De acordo com um estudo, realizado pela psicóloga Gail Matthews da Universidade Dominicana da Califórnia, a Síndrome do Impostor atinge, em média, 70% dos profissionais bem-sucedidos, principalmente mulheres, como a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama.

Michelle revelou, em uma entrevista concedida no Reino Unido, no final de 2018, que sofreu com a síndrome durante anos. Tudo teria começado quando seu orientador profissional, na Universidade de Harvard, onde estudou, disse que ela nunca seria boa o suficiente, estigma que ela carregou por muito tempo e contra o qual ainda luta até hoje.

O perfeccionismo, muitas vezes, anda de mãos dadas com a síndrome.“A pessoa acredita que todas as tarefas que assume precisam ser perfeitamente executadas e, devido ao elevado nível de exigência, acaba procrastinando suas atividades. Geralmente, esse profissional tende a ser obsessivo com detalhes, podendo, inclusive, perder a objetividade”, alerta David. 

De acordo com headhunter, ao identificar, o profissional deve buscar um mentor que o auxilie nas questões técnicas e lhe transmita mais segurança. “A psicoterapia também pode ser um bom caminho. Ter autoconhecimento para entender pontos fortes e fortalecer talentos é essencial. O indivíduo precisa se conscientizar de que suas conquistas não são uma questão de sorte. Sem talento, nada do que ele realizou teria sido possível”, enfatiza.