Os funcionários brasileiros inovam, gostam de se sentir donos do negócio, sentem-se satisfeitos com o direcionamento que recebem de sua liderança, mas são altamente desmotivados.

Essas são algumas conclusões reveladas no segundo Índice de Saúde Organizacional, realizado e divulgado pela consultoria McKinsey. “Motivação é o indicador da cultura organizacional que mais deixa a desejar no país”, afirma Anita Baggio, sócia associada da McKinsey. Na comparação global, o Brasil fica oito pontos atrás neste item.

O índice, que analisa empresas de 100 países, busca medir o quanto funcionários estão satisfeitos com as empresas e se a estratégia implementada está funcionado – em 9 dimensões e 37 práticas de gestão. Nesta edição, participaram 82 empresas, de 18 setores, que somam 170 mil funcionários.

De forma geral, as empresas consideradas saudáveis pelo índice são aquelas que possuem clareza estratégica – articulam de forma objetiva para onde as pessoas devem ir e criam metas específicas – e se antecipam aos riscos. As não saudáveis, segundo a consultoria, apagam mais fogo do que articulam novas frentes.

Os dados mostram que a remuneração não é o principal fator para aumentar a motivação entre os funcionários brasileiros. “Vimos empresas com alta motivação e saudáveis e que não possuem boas práticas de remuneração ou benefícios. Não é dinheiro que vai resolver”, diz Anita. O que ajuda, segundo a pesquisa, é aumentar o senso de responsabilidade das pessoas, de uma forma que elas se sintam parte do negócio e acreditem que o que fazem tem valor e é reconhecido.

“As empresas mais saudáveis focam em fornecer a sensação de dono, aliado a uma transparência de desempenho, assegurando que os funcionários que vão além serão valorizados”, diz Gustavo de Oliveira, especialista sênior da consultoria que participou do estudo para o índice. Ter atenção para quem deseja e, de fato, desempenha mais é um ponto que a liderança brasileira pode melhorar, segundo a consultoria.

A despeito desse cenário, o maior destaque das empresas brasileiras no índice foi na dimensão de inovação – o país ficou seis pontos a frente da média global. “As empresas de maior pontuação foram aquelas com líderes que desafiam os próprios funcionários a realizarem mais do que eles pensam ser capazes”, diz Anita, afirmando que esse fator “derruba o mito” de que para inovar é preciso contratar gênios. “Os insights estão vindo de dentro ou pela análise do comportamento dos concorrentes”.

Outro mito que a pesquisa derruba, na visão de Anita, é de que “o jeitinho brasileiro” faz diferença para construir empresas melhores. A disciplina operacional (84%) – criar padrões e monitorar de perto a adesão é eles – é mais forte do que o apoio à criatividade e empreendedorismo (66%) nas organizações saudáveis.

As empresas que se sobressaíram no índice também foram melhor avaliadas pelos seus funcionários em sites e redes sociais, segundo a análise que consultoria realizou a partir de 3 mil avaliações em sites e de 19 mil perfis de funcionários. “O que se está fazendo hoje em dia internamente, dentro de quatro paredes, não fica lá. A empresa que tem saúde baixa têm também notas baixas em proposta de valor”, diz Anita.

Fonte: Valor Econômico.