Uma das áreas que mais tem lidado com o desafio de observar sentimentos como angústias, expectativas, frustrações são os gestores de pessoas ou, especificamente, os profissionais de Recursos Humanos.  

Decifrar as pessoas sempre foi uma tarefa complexa e, para o RH, essa atenção começa na fase de recrutamento e seleção. Nesse processo existe um tipo de personalidade em que as empresas estão cada vez mais atentas: se trata do profissional que pode ser nocivo, tanto ao grupo, quanto a si mesmo.  

“Para evitar perfis comportamentais negativos, sempre perguntamos sobre uma experiência pessoal, além de perguntas sobre a vida profissional. Falar sobre a vida pessoal induz a pessoa a ser mais sincera nas respostas. Fica mais fácil de reconhecer a índole, os comportamentos e a maneira que ela têm de responder aos desafios. Também trabalhamos com uma pesquisa comportamental, a PI – Predictive Index, que nos ajuda a traçar perfis”, explica Ruth Rigatieri, gerente de Recursos Humanos da WDC Networks.

Um pensamento famoso que demonstra como o ser humano ainda tem um longo caminho pela frente quando o assunto é transparência nas relações é o do neurologista criador da psicanálise, Sigmund Freud: “Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”. Nesse sentido, muitas vezes, a identificação do perfil nocivo aparece, somente, no convívio diário ou no desligamento da empresa.

Uma das consequências da personalidade negativa é a capacidade que essa pessoa possui de tornar o ambiente de trabalho desconfortável, principalmente no caso de uma posição de gerência, além de existir uma tendência de fazer exigências descabidas e criar dificuldades para ajudar a equipe.

Cada empresa tem um modo de lidar com esse limite, algumas insistem na tentativa de manter o funcionário, atendendo algumas exigências, outras preferem demitir diretamente. Rigatieri explica que esse tipo de mudança comportamental é muito difícil de ser mudada. “Obviamente, como RH, sempre acreditamos no milagre da mudança.Tentamos a conversa clara e objetiva sobre o problema, que acreditamos ser o melhor caminho. Mas, mudar comportamento requer tempo, coisa, que muitas vezes, a empresa não tem. Normalmente, acabamos por encerrar a parceria.”

É necessário ficar atento: no momento de desligamento, esse tipo de perfil comportamental pode demonstrar atitudes vingativas, como exemplo, o uso de redes sociais para afetar a reputação virtual da empresa e a postagem de comentários maldosos sobre antigos colegas. Segundo a gerente de Recursos Humanos da WDC Networks, a atitude vingativa remete a uma pessoa pobre de alma, que fará o trabalho dentro de um horizonte tão individualista e medíocre, que nunca concluirá nada com sucesso.

Nesse contexto, a transparência nas relações entre empresa e funcionário se faz cada vez mais essencial e verdadeira. A gestão de pessoas demanda, com urgência, o desenvolvimento de mecanismos que permitam ao colaborador expressar frustrações. A mesma urgência cabe aos profissionais, que precisam amadurecer atitudes, nocivas a si próprios, uma vez que o mercado é muito pequeno e dinâmico.