Como profissionais, com mais de 50 anos, estão buscando recolocação profissional em um mundo cada vez mais rápido e tecnológico

Após os 50 anos, conseguir uma recolocação no mercado de trabalho parece uma tarefa impossível. É o que mostrou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, divulgada no Fórum de Talentos Grisalhos, no último dia 10 de abril. Segundo o levantamento, em 150 empresas, entre dois candidatos com as mesmas competências, a maioria das empresas preferem contratar o mais jovem.

Marfida Maria Sellan, 63 anos, está há quatro anos procurando um emprego na área administrativa. Ela busca oportunidade em treinamento e desenvolvimento, consultoria em negócios e suporte. Nas entrevistas de emprego em que participa, Marfida destaca o conhecimento, experiência, flexibilidade, maturidade, relacionamento intergeracional e colaboração como os principais benefícios que o profissional com mais idade pode agregar.

Apesar da formação em administração com ênfase em marketing de serviços e os cursos extracurriculares, ela ainda não foi selecionada.”Sempre escuto que meu currículo é muito bom, mas, que não estou na faixa etária esperada para vaga”, conta.

Jorge Félix, professor convidado do curso de mestrado em gerontologia da USP, comenta que o mercado de trabalho não absorve essa população.”Para esse público de mais de 50 anos, a lógica de mercado é perversa.”

Félix acrescenta que a frustração pelo desemprego causa a chamada fragilização da segunda metade da carreira.”Diariamente, esses profissionais precisam provar o que são e, com o tempo, podem ficar mais suscetíveis a desenvolverem doenças psicológicas.”

Por isso, o professor enfatiza a importância da educação continuada. “Com o avanço tecnológico, as pessoas precisam se conscientizar que nunca vão poder parar de estudar. Sempre é preciso planejar tempo e orçamento para educação”, finaliza.

Aposentados e talentosos

Pensando nessas pessoas mais experientes e talentosas, Mórris Litvak criou, em 2015, a Maturi Jobs, um sistema que busca oportunidades de emprego para pessoas com mais de 50 anos. “Muitas pessoas aposentadas precisam trabalhar pela questão financeira, algumas ajudam financeiramente a família. Outras se sentem dispostas e não querem ficar paradas”, explica Litvak.

Uma motivação de Mórris para criar a plataforma foi a avó paterna Keila. “Vi de perto como a saúde física e mental de minha avó declinaram rapidamente depois que parou de trabalhar”, diz o empreendedor.

O site funciona sem nenhum custo para quem procura por uma vaga. Atualmente, há cerca de 65 mil profissionais cadastrados e, aproximadamente, 400 pessoas já foram recolocadas no mercado de trabalho. Algumas das atividades mais procuradas são para funções de consultor, mentor, atendimento ao cliente e trabalho social.

Mirella Altman, CEO da D’Mirella Captação de Novos Clientes e Negócios, é uma das empresárias que já contratou funcionários pela plataforma. “Quero contribuir para mudar essa realidade de preconceito em  contratação de pessoas mais velhas. A expectativa de vida está aumentando e a idade não é impeditivo para um bom trabalho. Aliás, acredito que o comprometimento é até maior pela experiência de vida”, afirma.

Outra iniciativa que tende a melhorar esse cenário é o programa Ponto de Partida da iFractal, que tem como objetivo gerar oportunidades para a reinserção de profissionais no mercado de trabalho. O projeto, que faz parte do conceito da plataforma para gestão de pessoas STOU, que propõe o uso da tecnologia com propósito em humanização, é sem custo para os participantes e terá início com pessoas aposentadas que desejam retornar ao ambiente corporativo, independente, da função exercida anteriormente. Esses profissionais irão receber treinamento, com certificação, dos sistemas da iFractal, além de outras disciplinas que visam atualizar os currículos para atender  oportunidades de modo mais abrangente.

“Os currículos atualizados serão disponibilizados para os Recursos Humanos dos nossos clientes, os quais, serão incentivados constantemente a enxergar as vantagens de abrir oportunidades de um novo começo para profissionais aposentados, porém inquietos”, explica Caio Carraro, diretor de comunicação da iFractal e idealizador do programa Ponto de Partida.