Em uma sociedade que considera como bem- sucedido o profissional que tem uma ‘boa profissão’, que trabalha em escritório de multinacional, que faz cursos de pós-graduação, MBA e que, em seguida, é promovido a gestor, o preconceito está tão enraizado que chega a ser visto como normal julgar, como fracassado, o profissional que não segue o mesmo caminho.

Há poucos dias uma notícia, que repercutiu nacionalmente, deixou ainda mais evidente que, no Brasil, ainda estamos divididos em castas e que somos apegados aos status: os alunos, do terceiro ano do ensino médio, de um colégio particular em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, promoveram o dia temático “E se nada der certo?” durante o horário letivo.

Na ocasião, eles se vestiram com uniformes usados em profissões consideradas, caso nada der certo, como opções. Vendedores, garçons, faxineiros, cozinheiros e cobradores de supermercado, foram alguns dos exemplos de cargos apontados, pelos alunos, como inferiores.

Não existe trabalho que não seja digno

Segundo Fabiana Sanches, psicóloga organizacional, o conceito de sucesso profissional é, ou deveria ser, avaliado pela felicidade e satisfação de quem exerce o cargo ou a profissão. “Ao meu ver, uma pessoa bem sucedida é aquela que se realiza verdadeiramente no exercício de seu trabalho. As pessoas têm motivações diferentes e nem sempre a remuneração está em primeiro lugar”, explica.

Trabalhei no McDonald’s porque… tudo deu certo

Diego Salgado, repórter do UOL Esporte, aprendeu, desde cedo, que ser bem-sucedido é, simplesmente, ser feliz no trabalho. O primeiro emprego dele foi no restaurante McDonald’s em 2001, aos 19 anos. Depois da experiência, com objetivo de juntar dinheiro para o curso de jornalismo, ele se mudou, duas vezes, para trabalhar nos Estados Unidos.

“Na primeira ida, por três meses, fui garçom, trabalhei na construção civil, limpei quarto de hotel e organizei mudanças de residências. Quando voltei ao Brasil, trabalhei na Leroy & Merlin, como vendedor no setor de iluminação e elétrica. Depois de quase dois anos, com mais maturidade e um planejamento mais sólido, voltei aos Estados Unidos e, durante três anos, lavei carros e entreguei pizzas – o trabalho na pizzaria consistia também na limpeza da loja e entrega de folhetos nas ruas. Voltei para o Brasil com o dinheiro para o curso de jornalismo e também consegui comprar um apartamento em São Paulo”, conta.

Salgado fala com orgulho que aprendeu muito.”Foram as melhores experiências da minha vida. Eu só sou jornalista porque vivi tudo aquilo e sempre fiz tudo com o maior empenho possível. Sempre achei digno todas as funções.”