Diogo Junqueira, 38 anos, assistente de Recursos Humanos, descreve de forma simples os afazeres no trabalho. “Ajudo meus colegas a gerenciar pessoas. Sou responsável pelo malote, digitalizo relatórios e faço a organização de documentos em ordem alfabética. Também participo de eventos como voluntário. Sou muito atento e meu gestor já percebeu isso”, conta orgulhoso.

Com síndrome de Down, Diogo iniciou a carreira profissional há 18 anos, por meio da  Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID). Angela Maize, psicóloga e coordenadora de empregabilidade da associação, explica que Diogo começou aos  20 anos fazendo estágio na Johnson & Johnson, em seguida trabalhou por 10 anos na área administrativa da Fundação Atech.

“Após 10 anos, um dia ele marcou uma conversa comigo, pois, houve uma reestruturação na empresa e o trabalho diminuiu, então, ele começou a sentir necessidade de novos desafios profissionais. Após conversar com os gestores e família, comecei a procurar um novo desafio”, relembra.  Atualmente, há 3 anos no GRUPO SEGURADOR BB E MAPFRE, Diogo comenta que gosta do ambiente de trabalho, adora ser prestativo e que todos os colegas de trabalho o adoram.

Uma pesquisa conduzida pela consultoria McKinsey & Company com  apoio do Instituto Alana, em 2014,  mostrou que a presença de uma pessoa com Down faz com que o líder se torne mais capacitado para resolver conflitos. A consultoria conversou com 20 líderes de RH de empresas nacionais e estrangeiras, além de diretores de instituições de apoio a pessoas com deficiência intelectual no Brasil, EUA, Canadá e Europa.

“As pessoas com síndrome de Down, assim como todas as pessoas,  têm potenciais e capacidades únicas. Elas não têm necessidades “especiais”, mas sim necessidades humanas, como amigos, empregos, amor, respeito, estímulo contínuo, apoio e restrições. São pessoas que fazem a diferença no ambiente de trabalho, contribuem para o engajamento e quando precisam faltar, fazem falta”, destaca Maize.

Campanha #NotSpecialNeeds

Programa de empregabilidade ADID

No momento, o programa de apoio à inclusão profissional de pessoas com síndrome de Down da ADID tem 29 pessoas empregadas em empresas como Serasa Experian, GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE, ATECH-Grupo Embraer, Drogaria São Paulo, RaiaDrogasil, Farmácias Pague Menos, KidZania, Senai, Grupo Gaia e Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.

No início do programa, o futuro colaborador passa por cursos de administração, culinária, atendimento ao público,  orientação vocacional  e vivência educacional, que é uma experiência assistida em alguma empresa parceira. “Essas etapas são importantes para conseguir identificar o tipo de trabalho que a pessoa tem aptidão e deseja desempenhar”, comenta. Após a contratação, a empresa recebe treinamento, palestra para sensibilização da equipe e assessoria técnica. Já o profissional tem treinamento corporativo duas vezes por semana.

Para Maize, o Brasil tem evoluído na inclusão de pessoas com Síndrome de Down. “Tem empresas que contratam mesmo estando fora da Lei de Cotas, que obriga o preenchimento de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência em empresas com mais de cem funcionários. Mas, apesar da evolução, infelizmente, em algumas empresas, ainda há a barreira de atitude, de olhar e ver que a pessoa é capaz.”