IMG Artigo Especial Caio Carraro

Após muitos anos trabalhando em comunicação e marketing, especialmente, em ações de endomarketing, passei a observar com outros olhos os resultados das ações de comunicação interna que não tiveram êxito. Por mais atento que o RH esteja é muito fácil esquecer de algo que, geralmente, passa despercebido e mina, diariamente, todas as investidas de transformar o ambiente de trabalho em um lugar agradável e produtivo: são os limites da curiosidade humana.

A curiosidade é uma característica inerente à natureza humana, isso não é nenhuma novidade. Contudo, existem, basicamente, dois tipos de curiosos. Eles estão espalhados entre familiares, amigos, colegas de trabalho ou desconhecidos em uma fila, restaurante ou em um elevador qualquer.

O tipo raro

O primeiro tipo de curioso é o mais raro. Normalmente, esse tipo de pessoa busca por informações relevantes, úteis e indispensáveis para que o seu crescimento pessoal e profissional possa gerar algo produtivo para a sociedade. Esse tipo costuma filtrar as informações que busca e, especialmente, as que chegam até ele. Para ele, há uma vastidão de assuntos a serem explorados que são bem mais estimulantes do que saber da vida alheia.

O tipo comum

O segundo tipo de curioso é o mais comum. Não é difícil encontrá-lo pelas ruas, em filas, em casa e, especialmente, no ambiente de trabalho. Só que esse tipo ainda é dividido em dois subtipos, o curioso mal-intencionado e o fofoqueiro.

O tipo comum (mal-intencionado)
O tipo mal-intencionado tem o objetivo bem claro: causar, conscientemente, danos às pessoas e, consequentemente, criar condições que possam resultar em ganhos para si próprio. É muito conhecido como a pessoa que puxa o tapete dos outros para alcançar os seus objetivos. As informações que costuma espalhar são, em sua maioria, mentiras, porém, ainda que sejam verdades, usa a informação de maneira maliciosa, gera desinformação e manipula facilmente enquanto tenta assumir uma figura de conselheiro de confiança, posição que o mantém protegido. Dentro da empresa, procura causar danos sem chamar muita atenção. Como esse tipo não é maioria, cedo ou tarde acaba se destruindo por conta própria, já que, uma vez descoberta as suas reais intenções, as relações são cortadas de imediato. Mesmo causando danos, o mal-intencionado é um pouco menos preocupante se comparado ao fofoqueiro.

O tipo comum (fofoqueiro)
O fofoqueiro, ao contrário do mal-intencionado, não acredita que causa danos aos demais com sua especulação sobre a vida alheia. A maioria, inclusive, não é formada por pessoas más, sem escrúpulos ou com algum desvio de caráter, por essa razão que a identificação e modo de se relacionar com eles torna-se uma tarefa mais complexa. São pessoas que levam uma vida comum, quando vão à igreja, ao clube ou ao supermercado, são vistas como sendo pessoas agradáveis e sociáveis. Porém, basta mudar de ambiente ou se reunir com determinado grupo, para que essas pessoas também mudem sua forma de agir.

Nessa mudança de ambiente, o corporativo é o mais prejudicado pelo fofoqueiro, onde sua conduta consiste em descobrir uma informação sobre alguém para, posteriormente, espalhar para uma ou mais pessoas.

As motivações do fofoqueiro são diversas, como, acreditar que é uma fonte de informação relevante para o grupo; fazer a fofoca em forma de piada para parecer engraçado; falar das falhas e momentos embaraçosos de outras pessoas para se sentir superior; criticar colegas sem a sua presença para se mostrar mais capaz, além de provocar debates inoportunos e indiscretos sobre atitudes como uma forma indireta para difamar ou gerar intriga entres os colegas.

Independente do motivo, essas fofocas começam pequenas, seja numa parada para o café, na ida ou volta do almoço, no bate-papo interno ou no final de uma reunião e, sem que ninguém perceba, outros estão envolvidos e também espalhando. Esse é o momento que a fofoca ganha força e se torna um veneno que invade pouco a pouco o corpo da empresa, até que um clima geral de desconfiança, insatisfação e melindre toma conta. O perigo da fofoca é que ele pode se tornar contagiante e viciante, especialmente, para novos colaboradores, que tendem a estar mais abertos para serem aceitos no grupo. Nesse caso, é preciso muita personalidade profissional para não ser envenenado.

Como a fofoca pode afetar o ambiente de trabalho?

Os danos no ambiente de trabalho são inúmeros, dependendo do porte da empresa, contudo, os mais comuns são:

1. Desconfiança entre colegas do mesmo departamento;

2. Supressão de opiniões e melindre em reuniões e debates;

3. Queda de qualidade do desenvolvimento humano;

4. Quebra do comprometimento com o propósito da empresa;

5. Desmotivação com efeito dominó, atingindo outros departamentos;

6. Erros frequentes de discernimento sobre as atitudes dos colegas.

Como lidar com pessoas que espalham fofoca pela empresa?

Quando alguém vier te contar algo sobre outra pessoa que não seja referente ao trabalho, você pode:

1. Interromper a pessoa e, educadamente, perguntar justamente a relevância daquela informação que está sendo passada;

2. Perguntar se a informação poderá ser confirmada na frente de outros;

3. Interromper a pessoa e, educadamente, perguntar se a pessoa sustentará tudo o que está sendo dito, caso outros perguntem a respeito;

4. Negar-se a guardar segredo, caso a informação não seja a respeito da própria pessoa;

5. Negar-se a opinar sobre o que lhe foi contado ou perguntado;

6. Caso a informação seja sobre outra pessoa, mas relacionado ao trabalho, sugerir que prefere receber a informação na presença dela.

O mais importante é lembrar que, como seres curiosos, o interesse pela intimidade de outras pessoas é algo normal, pelo menos, até o limite de não transformar as informações e segredos no veneno da fofoca. Ao invés de pré-julgar, criticar e acusar o fofoqueiro é mais útil pensar, de forma educativa, e mostrar, através de atitudes de um padrão mental mais elevado, como a fofoca é nociva para o grupo, para a empresa e, essencialmente, para o próprio fofoqueiro.