“Vou repetir para que as loiras consigam entender”, em seguida, vem a resposta em tom de xingamento “Machista”, “Mas eu não sou machista, apenas fiz uma brincadeira”. Sim, é possível que o interlocutor, não tenha percebido que reproduziu um discurso machista disfarçado de piada. Isso porque a sociedade, historicamente, é machista.

O machismo não é um problema específico de uma ou outra pessoa, nem exclusividade masculina. Ele está enraizado na cultura, nas músicas, livros, mulheres e homens. E, muitas vezes, passa despercebido. Assim como outras ideias preconceituosas e opressoras, a fala machista é propagada, em algum nível, até pelas pessoas mais conscientes sobre o tema.



O problema é que a maneira machista de agir, mata e oprime mulheres todos os dias. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em parceria com o Data Popular, três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos. É preciso reconhecer e lutar contra essa mentalidade. Não adianta xingar ou rotular. É necessário desconstruir ensinamentos e empoderar homens e mulheres.



O machismo, obviamente, não na mesma proporção, reprime os homens também, desde pequenos, eles são pressionados a provar a masculinidade, a não ter medo de nada, a nunca chorar.

No ambiente corporativo, o machismo é recorrente. São comentários, desfavorecimentos e desigualdades de oportunidade. Ainda há poucas políticas que promovem o bem-estar das mulheres e condições para ser mãe.

O profissional de Recursos Humanos tem um papel importante na transformação da sociedade machista.

Para Eliane Aere, diretora da ABRH virtual, o departamento de RH precisa ser um canal aberto em que todos funcionários acreditem e confiem. “A concentração de homens em cargos de liderança ainda é muito maior, por isso, é essencial existir políticas que permitam o desenvolvimento dos profissionais independentemente de sexo, cor e cidadania”, comenta.

O assédio é outra questão que os profissionais do segmento devem levar muito a sério. “As empresas podem tratar essa questão de várias maneiras, com um mix de ações: trabalhos internos de educação continuada, comunicados, reuniões, palestras e até abordar o tema em programas de formação. Caso seja percebido algum comportamento inadequado, deve-se chamar o colaborador para conversar individualmente, de forma mais direta. Nessa conversa, é essencial expor os valores da empresa e tentar fazer com que ele entenda os erros. Após a reunião, o caso deve ser monitorado para ter certeza que teve o efeito esperado.”

A diretora ainda lembra que os programas maternidade, como ações de incentivo, horários flexíveis, apoio emocional e divisão de experiências, entre outros, são importantes, pois permitem que as colaboradoras se sintam seguras e consigam retomar a carreira.