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A expectativa de vida dos brasileiros está aumentando. De acordo com projeções populacionais divulgadas pelo IBGE em 2014, o número de brasileiros acima de 65 anos deve, praticamente, quadruplicar até 2060 representando 26,7% da população (58,4 milhões de idosos para uma população de 218 milhões de pessoas).

O número de idosos ativos no mercado de trabalho também acompanha o aumento da expectativa de vida da população. Ainda segundo o IBGE, dos 15 milhões de idosos no Brasil, 4,5 milhões estão no mercado de trabalho.

Comparativo da expectativa de vida entre algumas das principais capitais do Brasil

Segundo Marisa Accioly, professora de gerontologia do curso da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, existe um cenário muito diverso de trabalho para os idosos atualmente. Uma parcela, por necessidade, continua trabalhando para complementar renda. Também há os que permanecem ativos por se sentirem com disposição para a vida laboral. Já os com escolaridade avançada são indicados para conduzirem serviços de capacitação. De acordo com a professora, um dos benefícios é a melhora na saúde física e mental dos idosos.

Apesar de benefícios, como a sabedoria e experiência de vida, envelhecer com saúde e disposição é um dos principais desafios. Para ajudar, uma nova profissão foi criada. Trata-se do gerontólogo, uma espécie de gestor da qualidade de vida durante o processo de envelhecimento.

“O gerontólogo é um profissional capaz de identificar as necessidades do idoso de forma integral”, explica a professora . “Na graduação, estudamos conteúdos de saúde, psicologia, ciências sociais, culturais, políticas públicas, modificações fisiológicas e estruturais que acompanham o corpo ao longo do envelhecimento”, completa Giuseppe Lucas Zomparelli, estudante do último ano de gerontologia da USP.

Apaixonado pelo curso, Giuseppe é o representante geral dos alunos de gerontologia e, sob orientação de professores, responsável pela oficina “Velho, eu?”, onde são debatidos, com os próprios idosos, alguns mitos da velhice e do envelhecimento utilizando técnicas psicoeducativas e aulas expositivas. “O objetivo é desmistificar os estereótipos dos idosos em relação à própria fase da vida deles. É uma ambição de fato difícil, mas temos conseguido alguns resultados significativos” comemora. Ele conta que um dos principais estereótipos é acreditar que perder a memória e ser isolado da sociedade são acontecidos naturais, inerentes ao envelhecimento. “Quando o idoso acredita nisso, esse sujeito pode não procurar a ajuda necessária para verificar o que de fato acontece na sua saúde”, explica.

Para quem pensa em iniciar o curso, a professora Marisa, comenta algumas das habilidades necessárias. “É importante ter uma afinidade com os idosos, relações familiares e gostar de trabalhar em equipe”.